Autoridades de saúde dizem que Argentina «pagou para ver»

Autoridades de saúde dizem que Argentina «pagou para ver»

O Brasil-Argentina de ontem ameaça ser o mais longo da história da rivalidade entre as duas seleções. Aos cinco minutos de jogo, delegados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e agentes da polícia federal do Brasil entraram em campo para deportar os quatro jogadores argentinos que omitiram, à entrada no Brasil, terem estado nos 14 dias anteriores no Reino Unido, onde aliás vivem e jogam, violando os protocolos da pandemia. Martínez, Lo Celso e Romero estavam em campo, Buendía na bancada.

 

Depois da confusão gerada pela entrada dos elementos estranhos no relvado, atletas, treinadores e dirigentes argentinos e brasileiros, como Messi e Neymar numa roda, ou Tite e Lionel Scaloni noutra, passaram a argumentar acaloradamente com as autoridades da Anvisa e da polícia federal. A delegação argentina, com uma ou outra exceção, decidiu recolher ao balneário, enquanto a brasileira, após 30 minutos de impasse, resolveu fazer um treino.


Pouco a pouco, as entidades envolvidas no escândalo começaram a emitir notas. Antônio Barra Torres, presidente da Anvisa, disse à imprensa que os argentinos «pagaram para ver». «Temos conhecimento da situação desde a chegada. Eles foram insubmissos à decisão de quarentenar e ser deportados. Quando eu vejo um sinal vermelho, eu paro, não discuto, eu sei o que o sinal quer dizer. Se não parar, sei que estou a ser insubmisso.»


Sobre a agência não ter atuado antes – no hotel dos argentinos, por exemplo -, Torres afirmou desconhecer detalhes: «Não sei ainda ao certo o que aconteceu no hotel mas terá havido alguma resistência deles, o que impediu que os espectadores de todo o mundo fossem poupados a este espetáculo. Agora? Agora esses atletas serão multados antes de serem deportados por terem omitido informações e não cumprido quarentena.»


Do lado da Federação argentina, o presidente Chiqui Tapia rebateu as acusações de violação de protocolo, lembrando as exceções para o desporto. «Existe uma legislação sanitária que se aplica nas datas FIFA, como para as taças da América do Sul. As autoridades de cada país aprovam os protocolos e nós cumprimos tudo.»

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

20 − dois =